Em 2026, ainda escrevemos cartas.

Somos duas mães. E foi numa dessas noites em que o dia não perdoou, trabalho, jantar, banho, cama, que percebemos as duas a mesma coisa: o livro da véspera, outra vez, porque já não havia energia para inventar mais nada.

Uma de nós escreve. A outra ilustra. E entre duas mães cansadas, a ideia pareceu óbvia: porque não usar o que sabemos fazer para dar aos nossos filhos, e aos filhos de outras famílias como a nossa, aquilo que faltava naquelas noites? Um conto que mais ninguém tem. Uma surpresa que ninguém sabe qual é. Vinte minutos em que o resto do dia deixa de importar.

Foi assim que começou o Mais um Conto Club.

Porquê papel em 2026?

Vivemos rodeados de ecrãs, o teu, o dele, o da escola. Tudo passa depressa e esquece-se ainda mais depressa. Isto não é sobre odiar a tecnologia. É sobre dar-lhes também outra coisa: algo que se toca, se guarda, se relê.

Um vídeo vê-se e esquece-se. Uma carta guarda-se numa caixa, debaixo da cama, para sempre.

Quem somos

Somos a Carla e a Maria. Mães as duas, e amigas antes disso.

A Carla desenha desde que se lembra, cadernos cheios de rabiscos que se foram tornando, com o tempo, ilustrações a sério. A Maria sempre teve os livros por perto; a escrita foi a forma que encontrou de guardar as histórias que inventava para adormecer os próprios filhos.

Temos as duas empregos a tempo inteiro, em áreas que nada têm a ver com contos ou desenho. Mas foi nos nossos hobbies, o desenho de uma, a escrita da outra, que decidimos refugiar-nos para criar histórias diferentes: contos que escondem lá dentro um facto real ou uma curiosidade, das que os pais às vezes não sabem responder quando um filho pergunta "porquê?" pela décima vez no mesmo dia.

Foi assim que nasceu o Mais um Conto Club: um projeto feito a partir do que sobra do dia, para famílias que, como a nossa, precisam de uma boa desculpa para parar vinte minutos e ler juntos.